s. f., gravilha@gmail.com
terça-feira, fevereiro 26, 2008
terça-feira, fevereiro 12, 2008
I try to blurt it out but I can't find the words
A repetitiva linha de baixo do início é repetida no sintetizador que fecha Elvis; a letra aparentemente abstracta e a pose/atitude Mark E. Smith. Amostra de Beat Pyramid, estreia essencial dos These New Puritans.
Mas além de Elvis, Numerology (AKA Numbers), Colours, Swords Of Truth, Doppelganger, C 16th, En Papier, 4 Pound e MKK3 prometem desenvolvimentos ainda mais bombásticos.
Clip alternativo sem ninguém nas teclas. Parece muito mais adequado à musica, mas não há a repetição da linha de baixo repetitiva, no final. Ouça-se o disco, portanto!
Right noise.
We're gonna get real speedy
We're gonna wear black all the time
You're gonna make it on your own.
Cos we dig
Cos we dig
We dig
We dig repetition
We dig repetition
(...)
The Fall - Repetition
sexta-feira, fevereiro 08, 2008
Mathletics
Seria difícil prever que um dos discos que vai enchendo as primeiras semanas de 2008 vem de uma das mais friendly bands das capas do NME. Ou talvez nem tanto.
Porque digam o que disserem o NME, mais hype menos hype bacoco, mais tiro ao lado e fenómeno em que só - vá-se lá entender o destaque a tanta banda com tanto vazio de substância - teenager inglês embarca, o NME continua, em 2008, a ser uma das principais fontes para a exploração da pop mais fresca que brota sem fim das caves, garagens e quartos do Reino Unido. E se a exploração que o semanário faz não é desinteressada – é uma questão de sobrevivência – a verdade é que nalguns casos a coisa funciona mesmo como uma espécie de serviço publico: o NME é muito mais que a Caras da (indie) pop inglesa.
Os Foals tiveram uma das primeiras capas do ano, mas mais que isso levam com o autocolante New Noise 2008 para a melhor banda nova a seguir nestes 12 meses. Desta vez, mais uma vez, o tiro é certeiro.
Vindos das cinzas de uma banda math rock que ninguém ouviu falar e esticando o som que os Battles trouxeram até à entrada das pistas de dança, os Foals misturam math com alguns ecos dos Bloc Party de Silent Alarm com as guitarras dos Slint ou dos Pinback, o sax dos Him. Até os Liars podem ser para aqui chamados. Eliminemos, pois, os Klaxons desta conversa.
A história está resumida aqui, ao punhado de singles que até agora compõem o CV dos Foals segue-se a estreia em formato longo – Antidotes – que sai em Março e cuja mistura final feita por um dos gajos dos TV On The Radio – que produziu o disco - foi mandada às urtigas.
Vão explodir, é certo. Até que o enjoo chegue (chegará?) ouça-se vezes sem fim. Electric Bloom, Two Steps Twice, Big Big Love (Fig.2), Like Swimming, Tron ou Balloons são hinos para levar para todo o lado, ginásio incluído. Mathletics. FOALS.
sexta-feira, janeiro 18, 2008
How Low Can You Go?
2007 foi o meu ano do digital; coincidiu com a chegada de um aparelhito para substituir o velho discman, mas a revolução – se assim lhe posso chamar – é mais extensa e ultrapassa largamente a existência da coisa. Foi o ano em que aprendi a descarregar toda a música que quero, e mesmo a que não quero, muito antes que chegue às montras, muito antes de as criticas aparecerem nos jornais e revistas ou nos sites habituais.
Ora, isto exige muito mais tempo e muita mais atenção, em primeiro lugar, porque a quantidade é muito maior e é muito maior porque é fácil, faz-se por impulso mas não custa dinheiro; se não prestar deita-se fora com um simples clic. Depois, a tarefa requere concentração e o ouvido treinado para logo nas primeiras audições apontar com o mínimo de certeza ao que presta e ao que não presta; perde-se pelo meio o que pede tempo para perceber, o que é mais difícil de digerir - sejam quais forem os motivos para a dificuldade na digestão. Pode parecer contraditório, mas o alargamento de horizontes musicais pode até ficar tolhido. Mas ainda assim foi, no que toca a musica, um bom ano.
Quebrada a ausência e mantida a relutância quanto á lista para os melhores do ano – repito, a lista, a existir, poderá ser modificada a qualquer momento – fica o pontapé de saída para 2008, e visto que nos últimos meses, para além da habitual e viciante pesquisa pelo fresh blood, o sinal predominante foi de arqueologia no que foi feito logo a seguir ao Punk, ou seja, 1978-84.
Significado: mais bandas de que já quase ninguém se lembra ou que poucos ouviram falar: Post-Punk, Rip It Up and Start again.
E o que me ocupa musicalmente, como um contraditório vicio substituto dos cigarros, são de momento estes dois magníficos discos, prova de que a arqueologia, ou esta arqueologia, vale mesmo a pena e que o período é tão fértil que mesmo quando penso que a substancia se está a esgotar, rapidamente se estendem, também, os adjectivos qualitativos.
A vossa melhor atenção, portanto, para:
Can't Stop It! Australian Post-Punk 1978-82Can't Stop It! II - Australian Post-Punk 1979-84
Os títulos falam por si; nomes:
The Moodists, Voigt, Take, Essendon Airport, The Apartments, Ash Wednesday, Primitive Calculators, Makers Of The Dead Travel Fast, Ron Rude, Xero, The Fabulous Marquises, The Slugfuckers, Equal Local, Tame, The Particles, People With Chairs Up Their Noses, Wild West, The Pits, Right Arrow, Up Arrow, Right Arrow,
The Systematics, International Exiles, Asphixiation, Tactics, Severed Heads, The Goat That Went "OM", Use No Hooks, Scattered Order, The Jetsonnes, Rhythmx Chymx, Brrr Cold, SoliPsik, Wild Dog, Belle Du Soir, Ya Ya Choral, The Swell Guys, Scapa Flow, Nuvo Bloc.
Notas: Compiled by David Nichols and issued on Guy Blackman's wonderful label Chapter Music. Que apresenta outros motivos de interesse. Nos comentários fala-se da música.
Enjoy!